Livro da vez: Originais: Como os inconformistas mudam o mundo

O arriscado negócio de nadar contra a corrente

Conhecer este livro foi como um presente. Como se a vida conspirasse ao meu favor e colocasse este livro no meu caminho quando eu mais precisava… Olha a serendipidade se mostrando aqui.

O livro começa com uma citação que já causa polêmica. No mundo em que a resiliência, a flexibilidade e o alto grau da adaptação são fortemente valorizados, o autor cita George Bernard Shaw:

O homem sensato se adapta ao mundo; o insensato insiste em adaptar o mundo a si. Portanto, todo progresso depende do insensato.

O que você sente ao ler isso? Você se sente confuso? Parece que não faz sentido querer adaptar o mundo a si? Não, o autor não defende um bando de mimados saindo por aí e querendo adaptar o mundo conforme sua vontade. O autor defende o inconformismo. Segundo ele, o conformismo nos leva para perto da multidão, a percorrer caminhos já trilhados, a manter o status quo. Já o inconformismo nos leva a defender ideias novas, caminhos diferentes que podem resultar em algo melhor do que o que temos hoje. Como é mesmo o nome disso? Originalidade.

O que aconteceu na última vez que você contestou o status quo? Que você defendeu uma ideia nova? Que você sugeriu experimentar algo novo? Normalmente apresentamos estas ideias para alguém hierarquicamente maior que nós(pais, chefes, professores) e encontramos a resistência de alguém que está acostumado a fazer as coisas desta forma que “funciona”. Então passam a dar justificativas de porquê as coisas são assim. Como o autor diz, parecem querer nos dar um analgésico emocional para que seja mais fácil aceitar o mundo como ele é. E não é fácil convencer estas pessoas que podemos mudar, melhorar, ser diferentes pois isso destrói o que temos de sólido, pode balançar demais o barco e trazer riscos.

O autor nos leva a uma reflexão de 272 páginas sobre a originalidade, seus riscos e seus mitos. Através de várias histórias, ele nos leva por ideias de sucesso e fracasso, fala sobre equilibrar os riscos , sobre o árduo trabalho que precede as ideias que consideramos originais, sobre a raiz desigualdade entre homens e mulheres na quantidade de criações ao longo da história e muito mais.

Um trecho que me marcou muito é o exemplo que ele deu sobre a escolha das 50 maiores obras da música clássica pela Filarmônica de Londres. Ele faz questão de enfatizar que haviam 6 peças de Mozart, 5 de Beethoven e 3 de Bach. Mas, para compor estas 6 obras primas, Mozart compôs mais de 600 peças. Beethoven 650 e Bach mais de mil. Não é difícil concluir que se queremos ser originais, temos que trabalhar muito. Produzir um grande volume de trabalho para que possamos ter oportunidade de criar coisas realmente boas. Aqui cai o mito de que ideias originais simplesmente surgem para os mais afortunados.

Mas como nada na vida é fácil, produzir, produzir e produzir também pode nos levar a um viés criativo. Nos cegar em relação a viabilidade deste caminho, desta nova forma de fazer as coisas e nos impedir de deixar esta ideia para trás e buscar outra. O autor diz: “A medida que acumulamos conhecimento, vamos nos tornando prisioneiros de nossos protótipos”.

O livro contém muitas histórias, estudos sobre a originalidade sob vários pontos de vista(comportamental, comercial, educacional). Fala sobre seres humanos indiscutivelmente originais como Martin Luther King e Steve Jobs. Aborda a difícil tarefa de dizer verdades a quem dita as regras do negócios, a importância de um chefe que apoia ideias inovadoras, de pais que encorajam a experimentação e valorizam o caráter e derruba conceitos enraizados como “o melhor é ser pioneiro”.

É um livro que faz cair os disjuntores como diria o Luciano Pires do Café Brasil, que muda a forma como você vê o mundo e como você se comporta frente a várias situações. O meu está cheio de marcações e sublinhados. É um daqueles livros que você quer que todo mundo leia, que todo mundo saiba, que todo mundo entre em contato com todas as ideias e conceitos que Adam nos apresenta.

Se você chegou até aqui, já concluiu que eu gostei muito do livro e acredito que este é um livro fundamental para quem busca o crescimento pessoal. Vale muito a pena e o livro já está disponível em português. Se você ainda tem dúvidas se vale a pena, dá uma olhadinha na página da Amazon e o que as pessoas dizem deste livro. Acho que você vai mudar de ideia.

2 thoughts on “Livro da vez: Originais: Como os inconformistas mudam o mundo

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  1. “O homem sensato se adapta ao mundo; o insensato insiste em adaptar o mundo a si. Portanto, todo progresso depende do insensato.”

    O que você sente ao ler isso?
    R. Alívio. Lol.

    Dúvida aleatória:
    O que servir em um jantar para a amiguinha da minha filha q vem em casa e tem intolerância a lactose?
    #falasobrecoisasvegans

    1. Puxa, comida para crianças é difícil. Mas pq não um bolinhas de falafel? Normalmente as crianças gostam de coisas assim e acho que te atende. Ou um hambúrguer com batata frita, hambúrguer vegetal claro(grão de bico ou soja ou qq outro). Aposto que toda criança gosta disso. Obrigada pelo comentário 🙂

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