*Imagem gerada por IA
Nossa carreira na engenharia de software é guiada pela busca de conhecimentos técnicos: dominar a linguagem, conhecer os design patterns, construir arquiteturas escaláveis. Mas raramente buscamos aprender mais sobre produto. Muitas pessoas engenheiras ainda acreditam que participar de dinâmicas de produto é perda de tempo e que seu papel é “construir as melhores soluções”. O problema é que as melhores soluções não existem sem o impacto ou o valor criado para a empresa e para o cliente. Se seu time está com dificuldade em entregar valor real, pode ser que o desafio não esteja no processo de desenvolvimento, mas sim em como engenharia e produto trabalham juntos.
Em times multi-disciplinares, o papel da engenharia costuma ser mais claro. É mais fácil de acompanhar, mensurar e desenvolver planos de melhoria contínua. Só que o desenvolvimento de software é apenas parte do trabalho. Sozinha, a engenharia não garante que o que foi entregue tenha valor para o cliente ou gere impacto no negócio. Para isso, é necessário o trabalho conjunto entre Product Manager, Product Designer e Engenharia cada um desempenhando um papel que complementa o outro. E para que isso funcione, é necessário ter clareza real sobre o papel de cada um. Caso contrário, isso pode trazer atritos e sobreposição de esforços que reduzem o desempenho do time.
O que Product Manager faz?
No início da carreira, uma pessoa product manager tem seu foco na construção do produto. Ou seja, é alguém capaz de entender o problema do usuário, traduzir isso em especificações claras, priorizar as atividades de acordo com o impacto no negócio, garantir que o time entregue com qualidade e acompanhar os resultados. É alguém que domina a execução (Product Execution).
À medida que ganha experiência, a pessoa PM amplia seu campo de visão para pensar além de features isoladas. Cria a visão de como elas se encaixam e como se alinham à estratégia da empresa (Product Strategy). Com seu conhecimento, passa a influenciar mais as pessoas envolvidas na estratégia do produto (stakeholders, time, diretoria) e aumentar o impacto do seu trabalho. Uma pessoa PM senior continua realizando um trabalho impecável em product execution mas agora guiada pela estratégia garantindo que as entregas tenham impacto no negócio.
Como EM apoia o PM
Quando a pessoa EM entende o papel do PM e o que esperar de cada senioridade, ela entende como apoiar o PM da melhor forma possível e isso impacta diretamente na performance e saúde do time. Quando trabalhamos com PM mais junior, é essencial que o EM apoie mais em atividades operacionais como tradução de requisitos em backlog (especificação, critérios de sucesso), priorização do que será trabalhado pelo time, reuniões de refinamento e review. O EM também precisa investir mais em entender os requisitos e em conectar os objetivos de negócios com as entregas do time. E por fim, apoiar o PM nas negociações com stakeholders e na mensuração do que foi entregue afim de garantir que todos saibam se a feature ou produto entregue está ou não causando o impacto ou trazendo o valor inicialmente estimado.
Quando o PM é sênior, o EM não precisa se dedicar tanto às atividades operacionais e pode se envolver mais na visão do produto, na estratégia da empresa e nas etapas de product discovery pois não vai precisar estar tão próximo das tarefas operacionais. O PM sênior já domina com maestria a tradução de requisitos em backlog, conecta facilmente com os objetivos da área/empresa, tem facilidade na gestão dos stakeholders. Então, o EM precisa deixar que o PM ocupe este espaço e possa desempenhar sua função.
A clareza sobre o papel e a senioridade do PM permite ao EM atuar como parceiro de produto seja compensando habilidades ainda a desenvolver ou potencializando os pontos fortes do PM. O EM não é gestor do PM, mas é um aliado fundamental do gestor/líder de produto pois está mais próximo do PM e é capaz de contribuir de forma positiva na definição de quais habilidades/senioridade são necessárias para os desafios do time. Atuando desta forma, o EM impacta positivamente o time, a empresa e os clientes. O impacto no time é resultado da clareza do propósito, do porquê as coisas estão sendo feitas, quais os objetivos e se estão ou não sendo alcançados. Já o impacto para empresa e cliente é resultado de um software que entrega valor real para o cliente e impacto direto nos objetivos de negócios.
No fim das contas, isso tudo se resume a alinhamento de expectativas e, quando as expectativas estão alinhadas, o trabalho em equipe fica mais fácil.
Referências:
What’s Your Shape? A Product Manager’s Guide to Growing Yourself and Your Team – Ravi Mehta

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