The Eletric Maze – A cultura come a estratégia no café da manhã

O Eletric Maze foi uma ferramenta utilizada pelo professor Tim Reynolds, da Ohio University, para uma de suas aulas de liderança. É uma ferramenta desenvolvida pelo Dr Richard Kimball para exercícios de “Team Building”, “Team Learning”. A ferramenta é um tapete dividido em pequenos quadrados e cada quadrado possui um sensor que pode emitir um som ao ser pisado.

Eletric Maze

O objetivo do exercício é encontrar um caminho para atravessar o maze através de quadrados que não emitam sons ao serem pisados. As regras do jogo são:

  • Um membro do time no maze de cada vez;
  • Pisar em um quadrado de cada vez;
  • Caso um quadrado emita um som quando pisado, é preciso retornar para o inicio do maze através dos quadrados já encontrados que não emitem som;
  • Caso um quadrado que emita som seja pisado no caminho de volta, o time perde 1 ponto. O time possui 50 pontos no inicio do jogo;
  • Os membros do time não podem se falar durante a travessia. Também não podem escrever ou marcar os quadrados com moedas ou objetos;
  • Todos deveriam passar pelo maze;

Antes de iniciar o exercício, o time tinha 7 minutos para traçar uma estratégia para atravessar o maze. O time de 14 pessoas precisava atravessar o maze em 12 minutos.

Time em ação no Maze

A estratégia do time que eu fiz parte foi que cada membro seria responsável por um grupo de quadrados, ou seja, deveria memorizar quais quadrados já foram pisados e emitiram sons afim de ajudar quem estivesse sobre o tapete. Parecia uma estratégia muito boa, porém não conseguimos achar um caminho válido no maze nos 12 minutos. E não conseguimos porque não conseguimos colocar a estratégia em prática durante a execução.

Quando o primeiro membro entrava no maze, cada um estava de frente para a sua fileira de quadrados. Porém, conforme as primeiras fileiras tinham seus quadrados pisados, emitiam som, a pessoa voltava e outra começava do inicio, o time ia ficando ansioso com o passar do tempo. Esta ansiedade trazia os membros, responsáveis pelas fileiras do meio em diante, para as fileiras do inicio. E isso tirava o responsável por aquele conjunto do posto de fonte da verdade. Daí um apontava um quadrado, o outro fazia gestos de não e a pessoa no maze ficava confusa e errava.

Depois do exercício, eu só conseguia pensar nesta frase do Peter Drucker:

A cultura come a estratégia no café da manhã.

Talvez cultura não seja o termo mais adequado neste contexto, mas acho que representa bem o que aconteceu no nosso time e o que acontece no dia a dia de muitos times reais. Não adianta termos uma boa estratégia se a comunicação da mesma não está clara, se nem todos estão completamente comprados com ela, se todo o time não tem confiança uns nos outros. Algumas lições aprendidas que eu (opinião exclusivamente minha) tirei deste exercício:

  • A estratégia precisa estar muito clara e comprada por todos os membros.
  • Não basta só explicar a estratégia. Ela precisa ser constantemente reforçada. Como não podíamos nos comunicar, a estratégia se perdeu na execução.
  • Um time precisa de tempo para construir um ambiente de confiança um no trabalho do outro. Nosso time foi formado ali na hora do exercício para superar um grande desafio (descobrir o caminho e atravessar 14 pessoas em 12 minutos).
  • Em grandes desafios como este, todos os membros do time precisam estar focados na execução da estratégia e ter clareza do que seu trabalho representa no resultado geral.
  • A falta de comunicação ou um modelo complexo (por gestos) tem uma grande responsabilidade por não atingirmos o objetivo.
  • É preciso ter papéis claros na execução. Qual o papel de cada um? Nós não definimos estes papéis (quem marca o tempo, quem é o líder da rodada, quem garante que o processo está sendo executado conforme a estratégia) e acredito que poderíamos ter tido sucesso se tivéssemos feito isso.
  • Precisamos aprender com os erros dos outros para não repeti-los. Ao errar, precisamos agir rápido e tentar um novo caminho.
  • Para encontrar o caminho, precisávamos trabalhar juntos. A “cultura do herói” não seria capaz de encontrar o caminho válido.

Eu gostei bastante da experiência do exercício e ele também rendeu muitas conversas sobre liderança e trabalho em equipe nos dias que se seguiram a aula. Se eu trabalhasse presencialmente, reproduziria este exercício no time ao qual eu faço parte. Acredito que poderíamos tirar insights e aprendizados dele.

Para vocês poderem ver o exercício em ação, listo dois videos. No primeiro video abaixo, podemos ver um time em ação no maze. No segundo, podemos ver que não precisamos do maze em si para fazer este exercício. É possível reproduzi-lo de uma forma simples e sem custos.

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