Este livro foi indicação do host do podcast Boa Noite Internet, Cris Dias. Além do trabalho do Cris ser muito bom mesmo, as dicas dele são sempre garantia de sucesso.
Este foi o primeiro livro de Byung-Chul Han que eu li. Byung-Chul Han é um filósofo sul-coreano que é professor de artes na Universidade de Berlim. É autor de vários livros, sendo A sociedade do cansaço o mais famoso.
A sociedade do cansaço é um livro que trata do excesso de positividade da sociedade na qual vivemos. Já aviso: É um livro difícil. Vai ser difícil passar o primeiro capítulo. Mas não desista, vale muito a pena. Relendo o livro agora, eu ri. Ri porque Byung-Chul fala no primeiro capítulo de que apesar de termos medo de uma pandemia gripal, do ponto de vista da perspectiva patológica, o século XXI não é definido como bacteriológico ou viral, mas sim neuronal. Não sabia de nada inocente! 😛
Byung-Chul nos apresenta, logo no início, sua visão de que os problemas neuronais do século XXI são ocasionados pelo excesso de positividade. Ele nos guia por uma linha de raciocínio que inicia no conceito de imunidade(ataque e defesa), no fim da alteridade e como isso nos traz para o cenário no qual a nossa sociedade atual se encontra. Onde a cultura do super desempenho, super produção, super comunicação resultam numa violência de positividade que tem sintomas como esgotamento, exaustão e sufocamento.
Eu achei especialmente interessante o contraste que ele apresenta entre o que ele chama de sociedade disciplinar e sociedade do desempenho. Há alguns anos atrás, nossa sociedade foi uma sociedade disciplinar. Uma sociedade das proibições, controles, do “não ter direito”, ou seja, uma sociedade da negatividade. Já a sociedade do desempenho significa o afastamento de tudo isso. Cada indivíduo tem poder infinito, basta acreditar e querer para conseguir. Sim, você pode. Você pode atingir os melhores resultados em todos os aspectos. Ou seja, a sociedade da positividade. Daí a gente troca coerção, ordem ou lei por projeto, motivação iniciativa.
Se você analisar esta mudança social com a mudança nos meios de produção, tudo faz sentido. Como Byung-Chul mesmo mostra em seu livro, a positividade tira os limites, amplia o crescimento. E isso faz todo o sentido dentro da nossa sociedade capitalista. O sujeito positivo faz mais, é mais rápido, mais produtivo. Está livre. Mas esta liberdade é estranha.
Na sociedade do desempenho, o indivíduo tem o poder. Ele não está submisso a ninguém, apenas ele mesmo. E isso pode ser mais opressor pois causa um paradoxo no qual você é explorador e o explorado. O agressor e a vítima. Este indivíduo explora a si mesmo. E neste ciclo, o indivíduo acredita que tem o poder de escolha pois que é ele que toma as decisões. Isso parece liberdade, mas não é. E este paradoxo resulta em adoecimentos psíquicos.
Somado a isso, temos a superexposição das redes sociais onde estes resultados precisam ser expostos. O indivíduo precisa transformar estes melhores resultados em imagens, textos. Precisa mostrar para a sociedade o que está fazendo com a sua liberdade. E está constantemente exposto à demonstrações de outros indivíduos com resultados superiores aos seus.
Mas isso é só o começo. Byung-Chul nos estimula, capítulo após capítulo, a reflexões sobre vários aspectos da nossa sociedade e o impacto no indivíduo. O excesso de informação, de atividade, de autoexploração que causam depressão, TDAH, burnout. Nos isolando e nos individualizando. Numa época que, devido aos avanços tecnológicos, deveríamos estar trabalhando menos e ganhando mais.
Recomendo muito este livro. Ainda mais em tempos como estes onde cada vez mais pessoas estão adoecendo por toda esta pressão do mundo pandêmico.
O excesso da elevação do desempenho leva a um infarto da alma.
Byung-Chul Han – A sociedade do cansaço

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