Livro da vez: Fora de série – Outliers

Supondo que você não conhece este livro, qual a primeira coisa que te vem à cabeça ao ler este título?

A primeira coisa que veio na minha foi: O livro vai me explicar/mostrar como ser alguém fora de série, um outlier. Mas não é isso. O Malcolm Gladwell vem justamente mostrar que há muitos outros fatores por trás dos outliers que não são trabalho duro e dedicação. Não é só meritocracia. São fatores que não podemos controlar. Não é só trabalhe duro que você vai alcançar o que quiser. Não podemos controlar a data em que nascemos, por exemplo. Mas ela pode ser crucial na definição se você será uma pessoa comum ou um fora de série.

Já sei o que você está pensando; “Espera! Você está dizendo que a minha data de nascimento influencia nisso? Isso é astrologia ou você está de brincadeira?”

Difícil de acreditar, não é? Pois é verdade. O autor nos prova isso com a ajuda de dados, estatísticas, história(momento social) e pesquisas acadêmicas.

Há muitas histórias interessantes no livro como a dos jogadores de hóquei e o fenômeno da idade relativa descoberto pelo psicólogo Roger Barnsley. O fato é que Barnsley notou que a maioria dos jogadores de hóquei profissional no Canadá nasceram em janeiro, fevereiro ou março. Sendo janeiro o mês em que mais jogadores tinham nascido. E a explicação disso está nas regras que nós, como sociedade, criamos. A data limite para se candidatar à liga profissional é 1o. de janeiro. Logo, um garoto, que faz aniversário em 2 de janeiro, pode jogar o ano inteiro com outro que não fará 10 anos antes do fim do ano. E sabemos 12 meses faz diferença nesta idade. Será o ano inteiro jogando contra menores e com melhor desenvolvimento físico. Daí este garoto atrai “olheiros” que o leva para equipe de elite onde vai jogar mais jogos e contra atletas melhores. Isso faz com que este garoto seja, aos 14 anos, de fato melhor. Mas isso é porque se beneficiou de um treinamento melhor do que um outro garoto de faz aniversário em dezembro por exemplo. Ter nascido em 2 de janeiro, ter esta pequena vantagem inicial é o que fez a diferença para este atleta.

Surreal não? O autor deixa claro que nem todos os jogadores de hóquei nascidos em janeiro tornam-se jogadores de elite, com muito sucesso. O talento e a preparação são muito importantes.

Você já ouviu falar da regra das 10 mil horas para se tornar um expert em algo? O Gladwell também aborda isso no livro através de estudos com jogadores de basquete, músicos, jogadores de xadrez e etc . Se você considerar que 10 mil horas equivalem a 20 horas de prática semanal por 10 anos, não vai se surpreender tanto com esta regra. Faz sentido que uma pessoa seja um expert praticando tanto deste jeito. Não é só a data de nascimento que importa 😛 . A preparação é fundamental.

O autor segue analisando vários outros fatores que influenciam no sucesso de um profissional, na construção de um outlier através de histórias muito interessantes. Ele testa as ideias que vai apresentando no livro contra a história de pessoas reais. Eu gosto muito da história do Bill Joy(um dos co-fundadores da Sun) e como um prédio na Beal Avenue foi chave no seu desenvolvimento. Também tem os Beatles, o Bill Gates e por aí vai.

Porém o que mais “derrubou meus dijuntores” (como diria Luciano Pires do Café Brasil) é o caso do estudo que compara pessoas que obtiveram sucesso com as que não obtiveram sucesso profissional porém todas foram crianças brilhantes. Este estudo é muito bom e vem provar mais uma vez que a meritocracia pura não funciona. Através do estudo da vida destas pessoas, verifica-se que nenhuma das crianças das classes sociais mais baixas conseguiu obter o sucesso, se destacar. Acho que você já deve imaginar o porquê.

Ou seja, os mitos dos melhores e mais brilhantes e do “self-made man/woman” são mitos. Passa a lição errada para as pessoas. Estas pessoas contaram com uma série de fatores a seu favor que passam pela classe social, cultura até a data em que nasceu.

O livro é muito bom, eu recomendo muito. Porém, eu acho que poderia ser mais conciso. O que eu poderia citar como ponto negativo é a presença de algumas histórias. Tem umas muito boas mas também tem outras que eu descartaria, como a do acidente de avião por exemplo. Eu entendo o poder de reforço que elas podem ter, mas para mim acaba soando repetitivo e chato. Acho que isso acaba sendo um traço recorrente nos livros que eu tenho lido ultimamente, então o problema pode ser eu mesma 😛 Mas no geral recomendo. Vale a pena! Principalmente se você acredita no “Trabalhe enquanto eles dormem e alcançará tudo o que deseja”.

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