
Muitas pessoas passam a vida sendo violentas e se relacionando com pessoas violentas. Mas não a violência explícita, aquela que vira manchete nos noticiários e redes sociais. É uma violência silenciosa que gera raiva, tristeza, frustração.
Mesmo que possamos considerar que nossa maneira de falarmos não é “violenta”, nossas palavras não raro induzem à magoa e à dor, seja para os outros ou seja para nós mesmos.
Dr. Marshall B. Rosenberg
Desta forma, nos perguntamos “O que há de errado com estas pessoas? Com esta sociedade?” Porém, não conseguimos perceber que muitos dos problemas que enfrentamos nos nossos relacionamentos, sejam pessoais ou profissionais poderiam ser solucionados se prestássemos mais atenção na forma como nos expressamos e como ouvimos as pessoas ao nosso redor.
O mundo em que vivemos é aquilo que fazemos dele. Se hoje é impiedoso, foi porque nossas atitudes o tornaram assim. Se mudarmos a nós mesmos, poderemos mudar o mundo, e essa mudança começará por nossa linguagem e nossos métodos de comunicação.
ARUN GANDHI
É disso que se trata a CNV – Comunicação Não Violenta. Com a CNV , aprendemos a ouvir nossas necessidades verdadeiras e assim como ouvir as necessidades verdadeiras de quem se comunica conosco. A comunicação não-violenta não tem nada de novo, começa por assumir que todos temos compaixão no coração quando nenhuma violência esta presente. Assume que todos nós compartilhamos as mesmas necessidades básicas e que a estratégia que usamos para nos comunicar ou agir visa atender uma ou mais destas necessidades básicas. Consulte a definição oficial no site da cnv.
Você pode me perguntar, de onde você tirou isso? O mundo está cada vez mais intolerante, violento, agressivo, hostil. De onde você tirou que todos temos compaixão? Ou que podemos mudar o mundo apenas com a maneira que nos expressamos?

Pode parecer impossível, mas não é. A educação que recebemos, seja ela formal ou familiar nos traz o conceito de certo e errado. Não há dois lados. Há sempre alguém que está certo e alguém que está errado. Esta forma de ver o mundo nos leva a um comportamento permanente de julgamento, crítica, comparação, o sentimento de “nós” vs “eles” e não há forma de não caminharmos para o caminho da violência, para a comunicação violenta.
Para além das ideias de certo e errado, existe um campo. Eu me encontrarei com você lá.
Poeta Jalaladim Maomé Rumi
E acreditando nisso, a CNV tem 4 componentes:
1 – Observação;
2 – Sentimento;
3 – Necessidades;
4 – Pedido;
Eu recomendo a leitura do livro ou a playlist do youtube em que o próprio Marshall Rosenberg explica cada uma. Mas vou tentar introduzir cada uma aqui para que seu interesse desperte ainda mais:
Observação: Separar observação de avaliação. Quando combinamos observação com avaliação, as pessoas tendem a receber isso como crítica. Veja:
O que alguns chamam de preguiçoso outros chamam de cansado ou tranquilo; O que alguns de nós chamamos de burro para outros é apenas um saber diferente. Então cheguei à conclusão de que evitaremos confusão se não misturarmos o que podemos ver com o que é nossa opinião. E por isso mesmo, também quero dizer que sei que esta é apenas minha opinião.
Sentimento: Valorizamos muito a maneira de pensar. É muito comum que nos questione sobre o que pensamos mas raramente sobre como nos sentimos. E por isso, conhecemos tão pouco nossos sentimentos. Muitas vezes, confundimos sentimentos com opiniões. É importante aprendermos separar estes dois. Precisamos desenvolver um vocabulário de sentimentos que nos permita identificar de forma clara e específica nossas emoções e sentimentos. Ao nos permitirmos ser vulneráveis por expressarmos nossos sentimentos, ajudamos a resolver conflitos.
Necessidades: Julgamentos dos outros são expressões alienadas de nossas próprias necessidades insatisfeitas. Quando expressamos nossas necessidades, temos mais chance de vê-las satisfeitas. Infelizmente, a maioria de nós nunca foi ensinada a pensar em termos de necessidades. Estamos acostumados a pensar no que há de errado com as outras pessoas sempre que nossas necessidades não são satisfeitas. O autor conta uma vez que sua mãe esteve num seminário em que ele ministrava para mulheres que discutiam quanto era assustador expressar suas necessidades. Sua mãe saiu de repente e demorou para voltar. Quando ela voltou, ele perguntou se ela estava bem e ela respondeu: ” Acabei de tomar consciência de que tive raiva de seu pai por 36 anos por ele não atender às minhas necessidades, mas agora percebo que não disse a ele nenhuma vez com clareza do que necessitava.”
Pedido: Neste ponto, o autor aborda que devemos expressar o que estamos pedindo e não o que não estamos pedindo. Ele conta a história de uma mulher que estava frustrada porque o marido passava muito tempo trabalhando e pediu para que ele passasse menos tempo no trabalho. Algum tempo depois, ele anunciou que tinha se inscrito num campeonato de golfe. Ela disse o que ela não queria(que ele passasse tanto tempo no trabalho), mas não disse o que queria de verdade(que ele passasse mais tempo com ela). Precisamos formular nossos pedidos em linguagem clara e positiva. Uma linguagem vaga favorecerá a confusão e nosso ouvinte não irá entender o que queremos que ele faça.
No livro, o autor nos leva pelo caminho da construção dos 4 componentes e explica cada fase que enfrentaremos ao seguir no caminho da CNV. Você descobrirá muitas coisas interessantes e ao mesmo tempo desconstruirá outras que você leva consigo desde a infância.
A CNV não é uma receita de bolo. Você não aplicará meia-dúzia de passos e voilá, todos os seus problemas estarão resolvidos. Mas é um caminho poderoso para que você entenda como pode se expressar melhor e trazer mais qualidade para os seus relacionamentos. Na maioria das vezes, o problema é com você. Você não consegue se expressar de forma clara, positiva, identificando os sentimentos envolvidos e expressando as suas reais necessidades. Eu não consigo enumerar quantos “mal-entendidos” ou “erros” poderiam ter sido evitados no meu dia-a-dia profissional se as reais necessidades fossem expressadas desta forma. Eu gostei bastante dos conceitos e recomendo para todos.
Videos no youtube sobre CNV:
5 Formas de explicar: O que é Comunicação Não Violenta (CNV)
O que é Comunicação Não Violenta (CNV)?
Playlist de videos de um workshop do Marshall: Introdução à Comunicação Não-Violenta
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