Recentemente, meu chefe me recomendou o documentário Code Girl. O documentário mostra a trajetória de garotas do ensino médio de várias partes do mundo numa competição de programação que faz parte do Programa Technovation. Elas tem entre 10 e 18 anos e precisam construir um app que resolva algum problema social de sua comunidade. Elas são apoiadas por mentores durante a elaboração do plano de negócios e elaboração do app. O time vencedor leva U$10K para completar e lançar seu aplicativo.
É emocionante acompanhar a trajetória destas pequenas. Vê-las trabalhar a ideia de um aplicativo, desenhar as telas, entender como funciona um plano de negócios, preparar-se para defender o seu produto frente a uma platéia internacional e em inglês. E tudo isso com menos de 18 anos. Fiquei muito feliz em ver um time brasileiro entre as finalistas, meninas de um colégio do estado. O melhor de tudo foi o orgulho delas ao contarem que o Jonathan Ive elogiou o design do app que elas tinham construído. Você imagina o que é isso? Tem um significado especial para mim.
A distribuição entre homens e mulheres nas empresas de tecnologia sempre foi muito desigual. Eu sempre me pergunto a razão. Durante algum tempo, eu simplesmente pensei que a área de tecnologia não era muito popular entre as mulheres e que cada um escolhe sua própria profissão. Mas será isso mesmo?
Isso começa bem antes da vida profissional. Isso começa na escola. Eu sempre gostei de matemática e tecnologia. Mas eu assistia as meninas serem mais elogiadas pela letra bonita ou pela excelente redação. Meninas ganham bonecas, jogos de cozinha, maquiagem e etc. Meninos ganham videogames, jogos de raciocínio e estratégia. Será que isso não é uma prática tendenciosa? Será que cada um é mesmo livre para escolher sua profissão?
Eu sempre gostei de matemática e tecnologia. Não é à toa que decidi trocar a tão famosa festa de 15 anos por um computador 286 com uma placa de fax modem us robotics. Quantas das minhas amigas tinham computador? Quantas delas tinham acesso a internet em casa? Bem… elas tiveram suas festas de 15 anos.
Você deve pensar: Ah mas isso foi quando você era criança. Hoje, o acesso à tecnologia é muito mais fácil. Será? Na faculdade, éramos 4 garotas para um grupo de 30 garotos. Na minha equipe de desenvolvimento no trabalho, eu sou a única mulher. Não vejo garotas no programa de seleção de estágio para as vagas de TI. Enfim, não acha que estamos muito longe de onde estávamos nos anos 2000 quando as “Linux Chix” para apoiar as mulheres no mundo do desenvolvimento do software livre. E não é apenas impressão, os números são bem claros.
Você sabia que apenas 7% das startups são lideradas por mulheres? Ou que 4 de cada 1oo apps são desenvolvidos por mulheres? Ou que apenas 3% dos engenheiros de software americanos são do gênero feminino? E que em empresas muito admiradas como a Apple este número fica 20/80, já no Twitter 10/90, no Google 17/83 e Facebook 15/85?
Eu realmente espero que iniciativas como o Technovation Program mude estas estatísticas no futuro. Eu espero que o fácil acesso à tecnologia crie mais situações onde as garotas possam ser expostas a este mundo e devolver curiosidade sobre ele. Espero que a próxima geração de garotas possam descobrir o mundo maravilhoso que é trabalhar com o desenvolvimento de software. Eu amo.
Recomendo o documentário. Tenho certeza que ele te sensibilizará para esta iniciativa. Eu gostei tanto que estou pensando em me inscrever como mentora.
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