Corrigir alguém é uma tarefa muito difícil. É preciso ter sensibilidade para que a correção seja recebida positivamente e traga um efeito positivo que é o aperfeiçoamento e o desenvolvimento.
Mas quem pode corrigir alguém? Para corrigir alguém é preciso que você conheça muito bem o assunto, as regras ou o código de ética e também que você tenha uma posição que deixe claro este papel para quem está sendo corrigido.
Então eu não posso corrigir meu colega de trabalho ou de classe? Você pode. Mas será que você deve?
Quando vemos alguém fazendo algo errado, imaginamos que corrigi-lo é sinônimo de demonstrar interesse no crescimento da pessoa, de dizer a ela que nos importamos e queremos seu bem. Mas muitas vezes isso não acontece. Ficamos frustrados porque não atingimos o nosso objetivo.
Um dos motivos é porque isso pode não ser recebido de forma positiva por quem está sendo corrigido. Lembre-se que corrigir o outro é apontar erros, defeitos. A nossa sociedade tem a cultura de reprimir erros. Quem erra é punido para que outros não sigam aquele exemplo. Crescemos absorvendo o conceito de que o erro está associado a uma punição, a uma posição inferioridade. Só a maturidade traz a consciência de que a correção do erro nos permite crescer, enxergar a situação com outros olhos, aprender, a mudar para melhor. Por isso, nem todos estão preparados para absorver e refletir sobre as correções.
O outro motivo é porque, muitas vezes, a nossa posição ou grau de desenvolvimento não nos permite identificar a causa raiz do erro. Por exemplo, você acredita que seu colega sempre chega atrasado porque não está comprometido com o trabalho, mas na verdade é porque ele está passando por um problema pessoal que precisa de uma orientação do RH ou até quem sabe um afastamento. Você acredita que o erro está sendo cometido porque a pessoa desconhece o processo, mas o real motivo é que o superior dela a orientou para não seguir o processo naquele projeto/ocasião. Então, corrigir sem enxergar a raiz do problema também pode ter um efeito negativo. A sensibilidade e ação a serem aplicadas também são guiadas pelo conhecimento da raiz do erro.
E o papel? Eu acredito que o papel da correção tenha um fator muito positivo. Quem possui o papel de corrigir(líder, chefe, professor), deve possuir o treinamento para corrigir com eficiência, a sensibilidade para guiar este processo e a visão completa da situação para identificar a raiz do problema. Além disso, quem está corrigindo tende a confiar mais nas correções que vem daquele que tem este papel. Confia que o líder, o chefe ou o professor possuem experiência e conhecimento suficientes para corrigir. Sei que nem sempre temos as pessoas certas nestes papéis, mas isso é assunto para outro post.
Uma dúvida que podemos ter com frequência é a visibilidade do erro para nosso chefe, líder ou professor. Às vezes, podemos pensar que ele(a) não está vendo o erro e por isso não o corrige. Eu tinha também esta dúvida, mas o video abaixo que é inspiração para este post me trouxe a resposta. Ele(a) pode realmente não estar vendo, mas pode ser que ele(a) tenha simplesmente optado por não corrigir. Chocante não? E acho que é isso que separa pessoas que estão preparadas para assumir o papel de corrigir das que não estão. Vou tentar escrever o que a apresentadora explica no video.
Optar por não corrigir alguém é conhecer qual o grau de maturidade e/ou experiência a pessoa a ser corrigida se encontra. Todos sempre teremos pontos a corrigir sempre. Desde o mais junior até o mais sênior. Porém, quanto mais imaturo ou inexperiente um profissional for, mais ele precisará de tempo para absorver uma correção. Suponha que um analista junior tenha 10 pontos para serem corrigidos. Você poderá tentar corrigir os 10, mas este conjunto de correções podem deixá-lo confuso e ele não conseguir se focar em nenhum. Desta forma, é melhor priorizar os erros e corrigi-los de forma gradual. Já um sênior pode ser capaz de absorver os 10 pontos em uma só correção e trabalhá-los de forma paralela alcançando o desenvolvimento de forma mais rápida.
Esta visão nos abre portas para entender que o processo de correção é um caminho individual e que precisamos respeitar os limites de cada um. Também me fez ver que corrigir o outro nem sempre é o melhor que podemos fazer. Às vezes, o melhor que podemos fazer é se concentrar na correção dos nossos próprios erros e no nosso processo de desenvolvimento.
Vou deixar abaixo o video do quadro “Pausa” do programa “Arte; ponto e vírgula” que serviu de inspiração para este post. Eu nunca tinha ouvido alguém falar tão bem sobre este assunto e nunca tinha sido levada a uma reflexão tão enriquecedora sobre o tema antes deste video. É claro que por ser um programa voltado a arte, a apresentadora e bailarina Nesrine foca a correção em sala de aula(dança). Mas as palavras dela podem ser aplicadas em qualquer contexto. Excelente trabalho. Parabéns Nesrine e equipe!

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