Nesta época do ano, em muitas empresas, iniciam-se os trabalhos de avaliação do desempenho do ano anterior e elaboração do plano de desenvolvimento deste ano. É nesta fase que muitos colaboradores mostram-se apáticos e desmotivados. A maioria deles sentem que poderiam crescer muito mais dentro de suas organizações. Acreditam que poderiam assumir mais responsabilidades e ter maior valor atribuído. Mas não sabem porque isso não acontece. O próximo passo é questionar a organização. Será que a minha organização está impedindo meu desenvolvimento? Ou poderia fazer algo por mim e não o faz?
É importante lembrar que o funcionário é quem deve ser comprometido com seu próprio desenvolvimento. A empresa é responsável por criar um ambiente favorável, mas os resultados finais são sempre do colaborador. É ele que precisa traçar seu plano de desenvolvimento, ou melhor, de seu autodesenvolvimento.
No processo de autodesenvolvimento, você é responsável por todas as partes do investimento: tempo e dinheiro. Para desenvolver-se, melhorar suas capacidades e crescer, muitas coisas diferentes podem contribuir. Quando fala-se em desenvolvimento, muita gente pensa em cursos, pós-graduação, MBA. Mas a leitura de um livro, uma revista, algum curso à distância ou até mesmo alguma prática esportiva podem contribuir.
É claro que a empresa pode assumir um papel facilitador durante o processo de desenvolvimento. Mas isso depende da atitude de cada colaborador. É preciso sair da fase na qual se faz de vítima para ser o protagonista do seu processo de desenvolvimento. É preciso assumir a responsabilidade e as ações para colocar em prática o seu plano de desenvolvimento.
Sair da fase de vítima nem sempre é algo fácil. Muitas pessoas não conseguem identificar que estão nesta fase. Ninguém assume que faz o papel de vítima. Mas, com uma reflexão, é possível identificar se estamos nos colocando no papel de vítima. Devemos refletir sobre nossas ações diante dos problemas. Será que procuramos sempre colocar a culpa ou responsabilidade em um terceiro? Será que nos omitimos diante dos problemas? Será que nos isentamos da responsabilidade alegando que não sabemos como fazer?
Assumir o papel de protagonista de seu desenvolvimento profissional é encarar a realidade, adotar uma postura ativa diante dos problemas e tentar encontrar alternativas. O famoso jargão “Fazer Acontecer”. Devemos ser sinceros e realistas. Devemos reconhecer os nossos pontos fracos e tomar atitudes para melhorá-los. E para isso, a maior ferramenta é o autoconhecimento.
“Quem conhece os outros é inteligente. Quem conhece a si mesmo é iluminado. Quem vence os outros é forte. Quem vence a si mesmo é invencível”. Lao Tsé
Muita gente não conhece a si mesmo. Passa a vida ignorando suas próprias falhas e dificuldades. Mas para alcançar o autoconhecimento é preciso coragem e vontade. Não é processo difícil, mas exige sinceridade. Um primeiro passo é traçar o seu perfil. Tornar claro como enxergamos a nós mesmos. Traçar objetivos e listar o que sabemos fazer de melhor. O próximo passo é comparar o modo como você enxerga a si com o modo que as pessoas ao nosso redor nos vêem. Para isso é preciso pedir feedback, perguntar para o gestor, para o colega que trabalha ao lado. E por fim, identificar qual é o seu estilo de aprendizado. Como eu aprendo melhor? Lendo? Observando? Teoria? Prática? A identificação do estilo de aprendizado é fundamental para traçar um plano de desenvolvimento mais eficaz.
Já que chegamos até aqui, você pode pensar: “Mas querer não é poder. Para muitas coisas é preciso talento”. Sim, o talento. Muita gente acredita que nasce-se com ele ou sua vida está condenada ao fracasso. Será isso mesmo? Segundo Jericó Pilar, o talento é o resultado da união de 3 princípios: engajamento(eu quero), ação(eu ajo), capacidade(eu posso). Na falta de um destes 3 pilares, o talento não é completo. Ao tentar combinar estes 3 princípios 2 a 2 é fácil observar sua incompletude. Eu sou ativo e quero fazer, mas não procuro desenvolver minha capacidade para desempenhar esta função. Ou eu sou ativo e trabalho para desenvolver as competências necessárias para esta função, mas eu não quero realizá-la realmente. Qual será a minha motivação para fazê-la? Eu quero realizar e trabalho para desenvolver as competências necessárias, mas não tomo nenhuma ação para colocá-las em prática. Como poderei crescer desta forma?
O plano de desenvolvimento é algo pessoal. Não existe um modelo único que todos devem seguir. O seu plano de desenvolvimento deve transcender as necessidades diárias que a sua empresa tem. A preparação de um profissional deve ser para o mercado. Afinal, o que sua empresa precisa é um reflexo do que o mercado precisa. Devemos sempre equilibrar as necessidades da nossa organização com as necessidades que o mercado apresenta a cada instante.
E uma última dica: Cuidado ao traçar seu plano de desenvolvimento. Tenha em mente que deve haver um equilíbrio entre papéis que você exerce. Dedicar-se em demasia ao seu desenvolvimento profissional, sacrificando seus outros papéis é algo perigoso. Abdicar-se do lazer e da vida em família poderá comprometer seu engajamento e motivação com o seu plano de desenvolvimento profissional. Observe o seu momento de vida.
Faça uma reflexão de onde está hoje e onde quer chegar. Assim você conseguirá identificar as competências que precisa desenvolver. Suas metas precisam ser realistas. É preciso ter em mente que não é possível desenvolver competências com solidez da noite para o dia.

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