Eu não assisti ao filme e li este livro sem me preparar adequadamente para o que estava por vir. Também nunca havia lido outros livros de John Boyne e não posso analisar seu estilo neste livro. A única coisa que posso dizer é como a inocência pode doer!
Em o menino do pijama listrado, Boyne conta a história de Bruno. Bruno é um garoto alemão de 9 anos que nada sabe sobre a guerra, os judeus, o holocausto. E muito menos sobre o envolvimento de sua família neste conflito. Tudo o que Bruno sabe é que foi obrigado a se mudar da sua casa, se afastar dos seus amigos e tornar-se um garoto solitário em um local isolado onde tudo o que ele vê da janela do seu quarto o faz sentir-se mal, com um frio na barriga. Porém, ele também não sabe explicar porque sente-se assim.
O que Bruno vê de sua janela uma cerca e um banco. Um banco que nunca há ninguém sentado nele. E muito longe, muito além da cerca, ele vê centenas de pessoas de pijama listrado. Ele não entende. Não sabe porque todos usam a mesma roupa. Não entende porque há tantas crianças para brincar do outro lado da cerca e ele é condenado a viver sozinho e solitário deste outro lado da cerca.
Bruno quer ser um explorador quando crescer. E em uma de suas “explorações” conhece um garoto do outro lado da cerca, Shmuel. Bruno e Shmuel nasceram no mesmo dia do mesmo ano. São como gêmeos, ele define. Porém, são tão diferentes. Bruno não entende porque Shmuel tem a pele cinza, olhos saltados para fora e parece sempre estar muito triste. Bruno e Shmuel tornam-se amigos através da cerca e passam tardes e tardes conversando através dela. Bruno já não se sente tão mais sozinho, mas não entende porque não pode brincar com Shmuel.
A história do menino do pijama listrado conta a história de uma amizade inocente que se forma num ambiente monstruoso e incompreensível. Não pense que esta será um história bonitinha entre duas crianças. É uma dura realidade. A cada gesto, a cada passo inocente de Bruno, você sente uma dor muito forte. A dor de um povo inteiro. Bruno não sabe, não entende. Mas eu sei. Eu entendo. E isso te deixa indignado. Como? Como um ser humano tem a capacidade de fazer tal coisa? A cena em que Shmuel aparece na casa de Bruno é a cena mais cruel que já li. Dá vontade de entrar na história, tirar Shmuel dali. E sabe o que dói mais, é a frase dele “Já não sinto mais nada“. Acho que morri um pouco naquele momento.
Tudo parece ter acontecido em outro mundo. É cruel demais para ter acontecido entre os mesmos de minha espécie. É impressionante demais. É triste demais. É cruel demais para ser verdade. Tão emocionante quanto A menina que roubava livros, eu recomendo muito! É um livro pequeno, envolvente, surpreendente e forte!

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