Sobreviver – Instinto de Vencedor

Este não é meu estilo de leitura favorita, mas recentemente finalizei a leitura do livro Sobreviver – Instinto de vencedor da Claúdia Riecken para um trabalho da pós-graduação. Sim, você pode classificá-lo com um livro de auto-ajuda e aborda um assunto muito comentado no mundo corporativo que é o grau de resiliência de cada indivíduo.

Originalmente, o termo resiliência é empregado na física para nomear a energia potencial de deformação de um corpo.Resiliência é a capacidade de um corpo deformado voltar a sua situação inicial após a pressão sofrida. Já para psicologia ou para o mundo corporativo, resiliência é a capacidade de adaptação/readaptação de um indivíduo. O resiliente tem a capacidade de reverter uma situação adversa, de usar a força contrária de um dado evento a seu favor.

Minha atenção nunca esteve voltada a este tema. Mas a disciplina de gestão de pessoas me apresentou, não só este, como vários outros temas importantes com os quais eu devo gastar um pouco mais de energia para me conhecer melhor e entender as pessoas ao meu redor. Isso é fundamental para o sucesso no mercado de trabalho e na vida pessoal.

Por que a resiliência é uma característica tão valorizada pelas empresas? Segundo pesquisas, cerca de 80% dos profissionais tem suas competências diminuídas frente a um ambiente de tensão ou de mudança. Atualmente, as empresas estão em constante mudança para acompanhar o ritmo frenético do mercado, das informações e dos avanços tecnológicos.  E qual característica poderia ser mais valiosa a um profissional para viver neste mundo com equilíbrio e saúde do que a resiliência?

“Não podemos evitar as ondas do oceano, mas podemos aprender a surfá-las.”

A autora Claúdia estrutura o livro em 12 portais da resiliência. A idéia é que a cada portal que você consiga atravessar, mais resiliente você será e estará moldando sua personalidade de forma a alcançar características da personalidade dos vencedores. Estes 12 portais devem nos ajudar a:

  • Enfrentar adversidades individuais e em suas relações;
  • Resolver problemas de forma interessante e revigorante;
  • Administrar as mudanças freqüentes com energia e sabedoria;
  • Prosperar em um mundo transitório;
  • Encontrar disposição e vitalidade nas crises financeiras, no divórcio e no luto;
  • Lidar com injustiças, violência e caos;
  • Mapear e planejar uma reconstrução depois de mudanças drásticas;
  • Reconhecer sua vida como significativa;
  • Ajudar sua família, seus amigos e companheiros a lidar melhor com a adversidade e com os obstáculos.

Cada portal é ilustrado por experiências pessoais da autora e histórias de pessoas vencedoras que ela conheceu ao longo dos seus anos de pesquisa. Há muitas dicas boas. Claúdia chama a atenção para coisas que passam despercebidas no  nosso dia-a-dia. Puxa a orelha daqueles que se acham vítimas e nos mostra como nos proteger contra vampiros de energia.

Para ilustrar o conteúdo do livro, eu escolhi o portal IX – O mapa e o território. Este portal trata de como a concepção que nós temos das coisas, nosso modelo de mundo baseado em experiências anteriores são como um mapa.  É para “ele” que olhamos quando buscamos a resposta de como seguir. Porém, é importante lembrar que o “mapa” não é o território. Os nossos “mapas” são muito importantes. São eles que carregam todo nosso conhecimento, nosso aprendizado e tudo o que experimentamos ao longo da vida. Porém, é importante não manter-se preso a este mapa.  O território é rico em possibilidades. É a experiência viva e presente.

Muitas pessoas possuem mentes apressadas. Elas não conseguem perceber o que estão vendo. Mal identificam o que estão vendo e já recorrem ao seu “mapa” mental. Elas não vêem o que está a sua frente, elas “vêem” o que já foi mapeado em sua mente.  É preciso calma. É preciso esperar o completo ato de ver o que está a sua frente. Concentrar-se. Você projeta o olhar e deixa que ele volte novamente para você. Assim, você não perde o que o território está tentando te mostrar.

As pessoas resilientes têm mapas mentais livres. A sobrevivência e a resiliência são experiências que requerem presença, foco e atenção relaxada. É preciso integrar o “mapa da mina” com o real caminho “do tesouro”. Observe que palavras como sempre, nunca, toda vez, de novo indicam que você pode estar preso a mapas e perdendo oportunidades não exploradas. Nosso mapa deve estar em constante atualização. Podemos resumir o IX Portal como “Não se prenda demais aos seus modelos”. O território é bem maior e mais imprevisível do que nosso mapa mental poderia supor.

Eu gostei muito dos conceitos apresentados por este portal, pois eu mesma tenho a mente apressada e agora tenho consciência que preciso ter uma mente mais livre. Mas para absorver os conceitos de cada portal é preciso lê-lo e às vezes relê-lo pois não são apresentados com objetividade.  Muitas vezes, você inicia a leitura de um capítulo e demora a entender qual o objetivo daquele portal. Os conceitos estão espalhados e misturados às histórias que às vezes confundem. Minha sugestão é que os conceitos ficassem  centralizados e expostos no início de cada capítulo. As histórias poderiam concentrar-se no final e ilustrar os conceitos já apresentados.

Apesar de não ter gostado muito do livro, o trabalho da pós me obrigou a pesquisar sobre o tema e eu gostei de muita coisa que li. Algumas verdades que nos são tão óbvias porém não conscientes. Eu recomendo a leitura/pesquisa deste tema. Mesmo os mais resilientes podem apreender conceitos importantes.

“Aquilo que não me destrói me fortalece.” Nietzsche

“ Não há que ser forte. Há que ser flexível”.  O forte , muita vezes, acaba se partindo frente a adversidade. O flexível se inventa, se adapta, cria.

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