A menina que roubava livros

Enquanto estava lendo Eu sou o Mensageiro, de Markus Zusak em 2008, muitas pessoas me perguntavam “E aí? O que você achou de A menina que roubava livros?” ou então “Este livro é tão bom quanto A menina que roubava livros?”  Assim, resolvi adicioná-lo à minha lista de próximos livros a serem lidos.

Mais de um ano se passou e, enfim, completei a leitura de A menina que roubava livros este mêsTem uma história densa, cujo pano de fundo é a Alemanha nazista, retratada em 478 páginas. Porém não é uma narrativa detalhista e cansativa, daquelas que retratam cada detalhe do cenário, da roupa dos personagens, do céu e etc.

O livro conta as aventuras de Liesel Meminger na cidade Molching, próxima a Munique. A história se passa entre os anos de 1939 e 1943 e é contada por ninguém menos que a Morte. Sim, a Morte. Esta inacreditável narradora nos mostra a história de seu ponto de vista e faz comentários geniais que tornam a narrativa ainda mais brilhante.

A crise na Alemanha e o hitlerismo vão levando as pessoas e os pequenos momentos felizes de Liesel. A Morte e Liesel encontram-se três vezes ao longo da história. Logo no início da narrativa temos o primeiro encontro, Liesel perde seu irmão em uma viagem de trem. E é também neste cenário que rouba seu primeiro livro, O manual do coveiro.

Sua mãe não tem condições de criá-la e a envia ao casal Rosa e Hans Huberman que serão seus pais de criação. É na rua Himmel que Liesel  irá adquirir a admiração da “ceifadora de almas” que posteriormente irá contar sua história ao mundo.

Não espere uma narrativa fantasiosa ou com toques de suspense. A narradora faz questão de ir direto ao ponto e não esconder o que irá acontecer. O foco da narrativa não é o fim, o resultado da ação. E sim, quais ações levaram a este fim. Também não espere uma Morte vilã, ruim. A Morte narradora tem coração, demonstra cuidado, carinho com as almas feridas, exaustas e cheias de dor devido à guerra. Em algumas passagens chega até a demonstrar indignação com os excessos nazistas.

Apesar de ser uma história surpreendente, que você simplesmente não consegue parar de ler. Achei que algumas características marcantes do início se perderam ao longo da história, como a relação da Morte com as cores e a importância de Max para Liesel. O desfecho também foi um pouco decepcionante. Queria saber o que aconteceu com Max no campo de concentração, como conseguiu sobreviver.

Mas mesmo assim, gostei muito. Não é à toa, que livro ficou 43 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times.  Será difícil esquecer a luta de Liesel para agarrar os pequenos momentos de felicidade, a marcha dos Judeus sobre Moching, o reencontro de Liesel e Max durante a marcha, o bombardeio à rua Himmel  e a história da sacudidora de palavras e suas ilustrações.

. e i s u m p e q u e n o f a t o .

Você vai morrer.

Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.

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